Afinal, em que casos pode a Cirurgia Ortognática intervir? Pouco a pouco, tem-se vindo a assistir à introdução de novos conceitos em relação à saúde e estética. Isto, por sua vez, leva à introdução de novas abordagens clínicas. Desta forma, quando procuramos por tratamentos especializados devemos ir sempre a profissionais qualificados. Só assim poderá realizar um diagnóstico correto e aplicar a melhor solução a cada caso.

Ao falar de estética e saúde dento-facial devemos atender a vários aspectos. Proporções faciais, saúde cutânea e de tecidos subcutâneos e saúde e estética oral, entre outros.

A posição dos maxilares é importante?


A dismorfose dentofacial é uma alteração da posição dos maxilares manifestando-se com problemas a nível da oclusão dentária, estética facial e via aérea.

A abordagem das dismorfoses dento-faciais pressupõe uma abordagem multidisciplinar  para obter uma estética facial mais harmoniosa. Queremos um equilíbrio funcional das estruturas dentárias e a estabilidade da articulação temporo-mandibular.

Os parâmetros estéticos mais utilizados são a pirâmide nasal, geometria palpebral e orbitária, linha do sorriso, exposição das estruturas dento-gengivais e a harmonia facial. Estes factores determinam a “personalidade da face”.

Qual é o papel do Cirurgia Ortognática?


A cirurgia ortognática, realizada por profissionais tem um papel preponderante na estética da face, podendo modificar os terços médio e inferior, em função da amplitude e dimensão vertical do terço superior da face.

Por outro lado, permite uma alteração radical do perfil, com uma melhoria da harmonia e da exposição dentária no sorriso, sem alterações funcionais permanentes na mímica facial nem cicatrizes externas inestéticas.

Cerca de 25 a 30% da população apresenta um grau variável de desarmonia facial, dos quais 50% será, eventualmente, candidata a tratamento com cirurgia ortognática.

Tradicionalmente, na época onde os procedimentos cirúrgicos eram muito traumáticos, só se realizava cirurgia nos casos extremos. Atualmente, as técnicas cirúrgicas minimizam as complicações, o que poderá justificar a proposta de uma abordagem cirúrgica a um maior número de doentes inclusive os que pretendam uma melhoria meramente estética com uma relação risco/benefício muito favorável.

Qual é o protocolo ideal?


Quando falamos de doentes nunca há um protocolo fixo mas podemos afirmar que se deve realizar um tratamento ortodôntico prévio para colocação dos dentes na posição correta antes da cirurgia, seguido de um período pós-operatório variável de ajustes ortodônticos.

Em alguns casos é possível realizar “surgery first” ou seja a realização das correcções maxilares antes do tratamento ortodôntico com uma melhoria estética desde o primeiro momento do tratamento.

Como se pode prever o resultado final?


O diagnóstico e a planificação em 3D, usada como ferramenta de apoio ao diagnóstico clínico, permite a análise de cada caso com uma precisão milimétrica.

Podemos prever, desta forma, os resultados pós-operatórios como se de uma cirurgia virtual em 3D se tratasse. Com esta tecnologia o cirurgião pode tomar decisões nos passos cirúrgicos antes de iniciar a própria cirurgia evitando, assim, surpresas durante a realização da cirurgia real.

Podemos resolver problemas respiratórios nocturnos como a roncopatia ou a Apneia Obstrutiva do Sono com a Cirurgia Ortognática?


O Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) ou obstrução por episódios da via aérea superior durante o sono, com pausas na respiração durante o mesmo, é manifestado como a sensação de “noite mal dormida” ao despertar, ronquidão, assim como fadiga e sonolência durante o dia.

Recentemente, tem-se demostrado que o SAOS é, muitas vezes, responsável por acidentes laborais e de viação. Outra consequência das apneias do sono é uma redução da quantidade de oxigénio transportado no sangue, provocando hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e cerebrovasculares.

O SAOS é um problema de saúde frequente atingindo até 25% da população geral, segundo as diferentes estatísticas, e até 5% apresenta-se com um quadro severo.

A abordagem tem que ser sempre realizada por uma equipa multidisciplinar onde, para além de uma polissonografia, que diagnostica a obstrução, se deve realizar outras provas como o cone-beam/TAC 3D para diagnosticar em que zona está localizada a obstrução. Desta forma a medida terapêutica será realmente eficaz.

Relativamente ao tratamento, o primeiro nível de atuação é a perda ponderal (nos casos que haja excesso de peso), eliminação do consumo de álcool e aconselhamento para evitar algumas posições durante o sono. O segundo nível de atuação é o chamado CPAP (Continuous Positive Airway Pressure).

A cirurgia ortognática será também dirigida a doentes com roncopatia/apneia obstrutiva do sono podendo realizar em simultâneo cirurgia maxilar e nasal. Este procedimento permite aumentar o fluxo aéreo a nível nasal, da nasofaringe e da orofaringe com um único ato cirúrgico, levando ao fim do uso do CPAP.

Noutras ocasiões, a cirurgia ao mento poderá ser muito útil na resolução da sintomatologia descrita.