No dia 17 de setembro de 2018, estive em Munique, a prestar provas para a Sociedade Europeia de Cirurgiões da Articulação Temporomandibular (ATM). A concretizar-se, seria o primeiro português a entrar nesta prestigiada sociedade.

A sigla ESTMJS, significa European Society of Temporomandibular Joint Surgeons, ou seja, é a entidade europeia que junta os maiores experts em cirurgia da ATM da Europa. Estive cerca de dois anos a preparar-me para estas provas, onde um dos aspectos que tive de coordenar foi conseguir defender a minha tese de Doutoramento antes das provas à sociedade, condição essencial para entrar na ESTMJS.

Dentro dos critérios exigidos para apresentação do currículo à comissão científica da sociedade, há um mínimo de artigos publicados em revistas indexadas na área da ATM, palestras internacionais na área da ATM e depois a experiência nas diferentes técnicas cirúrgicas.

Pertencer a este quadro representa um desafio constante e tenho de estar ativamente atento ao progresso científico na área da Articulação Temporomandibular, partilhando regularmente com a sociedade os meus resultados clínicos e científicos. Deste modo existe a possibilidade de comparar e analisar os resultados entre os diferentes membros. Para além da partilha de conhecimento científico existe ainda uma cooperação contínua entre os diferentes membros, significando que poderei deslocar-me com frequência aos diferentes centros de referência europeus.

Sinto que é importante para Portugal ter um médico nesta sociedade, pois era frequente alguns colegas espanhóis e ingleses receberem casos mais complexos para intervenções cirúrgicas à ATM. Neste momento estou reconhecido para realizar qualquer intervenção à ATM e procurarei estar à altura desta grande responsabilidade para com os meus doentes!

Portugal tem assim, pela primeira vez, um cirurgião da articulação Temporomandibular reconhecido pela ESTMJS. O Prof. Doutor David Ângelo, médico que concluiu o seu doutoramento nesta área, associa a vertente de investigação com a experiência cirúrgica nesta área do conhecimento. Nos últimos anos tem desenvolvido sobretudo a área da cirurgia minimamente invasiva em Portugal e contribuído para o progresso da regeneração de tecidos nesta articulação.